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Obsessão: 95% no Rotten Tomatoes, mas será que o filme entrega o que promete?

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Com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota 81 no Metacritic, Obsessão (2026) é apontado pela crítica especializada como um dos melhores filmes de terror do ano. Dirigido por Curry Barker, de apenas 26 anos, o longa mistura humor negro, violência perturbadora e uma reflexão sobre relacionamentos abusivos. Mas será que o filme entrega tudo o que a propaganda prometeu? Eu assisti e conto aqui o que achei, sem spoilers, mas com sinceridade.

Confesso que entrei no cinema esperando um terror psicológico mais intenso. Principalmente pela forma como o filme foi vendido nas divulgações: trailers sombrios, expressões de pânico, aquela promessa de um pesadelo psicológico puro. Porém, o que encontrei foi uma mistura de suspense psicológico com sustos pontuais e um forte apelo emocional, o que acabou me surpreendendo, mas de uma forma diferente do que eu imaginava.

A trama acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem tímido que trabalha em uma loja de instrumentos musicais e é apaixonado há anos pela amiga Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de confessar seus sentimentos, ele encontra um amuleto e pede que a garota o ame “mais do que qualquer coisa no mundo”. O desejo se realiza. O problema? Nikki se torna uma namorada obcecada, mentirosa e violenta, disposta a matar qualquer um que ameace seu relacionamento.

O filme começa de maneira mais lenta – e aqui já dou meu primeiro spoiler leve: isso é proposital. A construção inicial foca na vida do protagonista, sua relação com os amigos e os desejos que movem a história. Aos poucos, a trama vai mostrando até onde ele está disposto a ir para conseguir o que quer, sem perceber as consequências perigosas que isso pode causar para ele e para todos ao seu redor. Eu particularmente gostei desse ritmo. Não é um filme que precisa te agarrar no primeiro minuto, ele confia na sua paciência.

O consenso do Rotten Tomatoes resume bem o tom geral: “assustadoramente perturbador, mas ao mesmo tempo habilidosamente divertido e empolgante”. A Variety descreve a obra como “um thriller inquietante que transforma uma fantasia romântica num pesadelo profundamente desconfortável”. E eu concordo. Mas com uma ressalva: a palavra “divertido” pode enganar. Sim, há momentos de humor negro. Sim, há situações absurdas. Mas a base do filme é pesada – e foi exatamente aí que ele me ganhou.

Dá para perceber claramente que é uma produção de orçamento menor e com atores menos conhecidos. Isso é fato. Mas, para mim, isso não atrapalhou a experiência. Pelo contrário: o filme compensa com uma história envolvente, uma atmosfera pesada e atuações convincentes – especialmente a de Inde Navarrette, que a crítica tem chamado de “verdadeiramente aterradora”. Mesmo quando o longa foge um pouco da proposta inicial de “terror psicológico puro” (algo que me incomodou nos primeiros 20 minutos), ele ainda mantém a tensão e prende a atenção até o final.

E falando no final… a partir da metade do filme o clima fica muito mais sombrio. As situações começam a sair do controle. Há uma cena envolvendo a morte de um gatinho que está sendo descrita por críticos como “um dos momentos mais nojentos e verdadeiramente perturbadores do cinema recente”. E, sim, é forte. Para quem tem estômago mais fraco, fica o aviso. A conclusão entrega um desfecho pesado, desconfortável e até perturbador em alguns momentos. É aquele tipo de filme que deixa uma sensação ruim de propósito e faz você sair do cinema pensando na história por um tempo. Comigo funcionou.

Diferente do que muitos críticos apontam como “humor negro que alivia a tensão”, minha percepção foi outra: o humor existe, mas ele não alivia. Ele desarma. Você ri, baixa a guarda, e dois segundos depois leva um soco. E aí está o grande mérito do diretor Curry Barker que, aliás, acabou de ser convidado para dirigir o reboot de “O Massacre da Serra Elétrica” por causa deste filme. A aposta da Blumhouse nele fez sentido.

Se você gosta de terror psicológico com clima tenso, temas pesados e uma narrativa mais angustiante, provavelmente vai curtir bastante. Mas se tem estômago mais fraco ou não gosta de filmes com uma vibe opressiva, talvez seja melhor ir preparado. Eu, no geral, achei um bom filme – principalmente pela proposta e pela forma como consegue criar tensão mesmo sem depender de grandes efeitos ou orçamento gigantesco. Não é o terror psicológico que eu esperava. Mas é um suspense emocionalmente violento. E isso, por si só, já merece respeito.

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